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Fidelidade Fidelidade é mesmo importante?

Na recente pesquisa do Datafolha sobre a sexualidade dos brasileiros, 80% de homens e mulheres declararam considerar a fidelidade muito importante no relacionamento. Pode até ser que pensem assim, mas a prática é bem diferente.

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Apesar de todos os ensinamentos que recebemos desde que nascemos - família, escola, amigos, religião - nos estimularem a investir nossa energia sexual em uma única pessoa, as relações extraconjugais são muito comuns. Uma porcentagem significativa de homens e mulheres casados compartilha seu tempo e seu prazer com outros parceiros.

Pesquisando o que estudiosos do tema dizem sobre as motivações que levam a esse comportamento, fiquei bastante surpresa. As mais diversas justificativas apontam sempre para problemas emocionais, insatisfação ou infelicidade na vida a dois. Não li em quase nenhum lugar o que me parece óbvio: as relações extraconjugais ocorrem principalmente porque variar é bom.

Um casamento pode ser plenamente satisfatório do ponto de vista afetivo e sexual mesmo havendo relações extraconjugais. Afinal, todos estão constantemente expostos a estímulos sexuais novos provenientes de outros, que não o parceiro atual. É possível que esses estímulos não tenham efeito na fase inicial da relação, em que há total encantamento pelo outro. Entretanto, existem e não podem ser eliminados. A maioria dos seres humanos já sentiu vontade de viver uma relação com alguém que lhe agradou, e isso não só devido a fatores físicos. Os mais variados aspectos podem provocar o desejo, mas somos historicamente limitados pela ideia de exclusividade.

Em quase todas as relações estáveis as cobranças de fidelidade são constantes e é natural sua aceitação. Severa vigilância é exercida sobre os parceiros. O medo de ficar sozinho é tanto, que é difícil encontrar quem reivindique privacidade e tenha maturidade emocional para saber que, se tiver um episódio extraconjugal, isso não diz respeito ao parceiro. A única coisa que importa numa relação é a própria relação; os dois estarem juntos porque gostam da companhia um do outro e fazerem sexo porque sentem prazer.

Desde as décadas de 60/70 assistimos a uma profunda transformação das mentalidades. O amor que conhecemos começa a sair de cena, levando com ele a idealização do par romântico, com a ideia de os dois se transformarem num só. A exigência de exclusividade, que daí se origina, começa a perder a importância. Acredito que num futuro próximo seremos mais livres para dar vazão aos nossos desejos e teremos plenas possibilidades de viver sem culpas.

Casais poderão estar ligados por questões afetivas, profissionais ou mesmo familiares, sem que isso impeça que sua vida amorosa se multiplique com outros parceiros. Viver junto será uma decisão que vai se ligar muito mais a aspectos práticos. As pessoas podem vir a ter relações estáveis com várias pessoas ao mesmo tempo, escolhendo-as pelas afinidades. Talvez uma para ir ao cinema e teatro, outra para conversar, outra para viajar, uma parceria especial para o sexo, e assim por diante. A ideia de que um parceiro único deva satisfazer todos os aspectos da vida tem grandes chances de se tornar coisa do passado.

Fonte: Bol

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